Não sou profeta
Não sou profeta nem filho de profeta,
mas vaqueiro e cultivador de sicômoros.
Não busco agradar com palavras aos homens,
mas responder a um chamado do Céu recebido.
Foi o Senhor quem me chamou a profetizar
e me tirou da paz do rebanho e dos figos,
do trabalho duro que apacigua o espírito
e torna as mãos do homem calejadas e fortes.
A verdade, ainda que dura, o coração liberta,
e as provações buscam sempre o bem do homem:
sua conversão das mundanas vaidades
e seu retorno ao Senhor, amante da vida.
Tudo te deixa, pois me deixaste,
e ainda não percebes que, sem mim, só a morte
colherás no fim desta humana aventura.
Mas não deixarei que se perca
meu rebelde e amado filho,
pois meu Amor por ele não conhece limites:
uma Cruz será a triunfante resposta
para trazê-lo de volta do humilhante exílio,
à Casa Paterna, por mim construída.
Cruz que, sobre um monte erguida,
abraça redentora a todos os meus filhos...
A solidão então não será mais invencível
para os que esse abraço com amor aceitarem,
no coração por ele sendo recriados.

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