Este poema é um mergulho no mistério da visão que nasce da entrega. Inspirado no relato bíblico do cego de Siloé, ele percorre o caminho de quem, ao tocar o barro e a água, descobre que a luz da verdade exige uma escolha radical. É o canto de uma alma que prefere o risco do novo olhar à segurança das velhas sombras, culminando no encontro pessoal e definitivo com Aquele que é a própria Luz.
Cegos
E agora que mais uma porta se fecha,
decidiste vir ao meu encontro.
Agora que os chefes me expulsaram —
os cegos que dizem ver, ainda culpados.
Não quis salvar a pele, preferi a verdade:
dizer que foste Tu a curar-me
e que só alguém vindo de Deus, um profeta,
é capaz de tal feito.
Buscavam que trocasse a minha história,
que negasse o dom recebido
para manter a ordem,
agradar a plateia.
A Luz preferi, manter a vista
que ganhei na piscina do Enviado
quando lavei o barro
que gentilmente puseste nos meus olhos.
E agora que finalmente te vejo,
Jesus, o profeta, o Senhor,
a mim te revelas como o Filho do Homem
e ajoelhado finalmente te adoro.

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